Clic. Sou acordada e momentaneamente cegada pela luz da sala. Meg acerta todos os móveis, sem exceção, antes de conseguir chegar cambaleando a cozinha. Quase um pinball humano. Ela abre a geladeira, pega um refrigerante e a outra metade da torta de chocolate e os traz para a sala, liga a teve e se refestela em sua ceia. Nem preciso dizer que tive que pular do sofá antes que Meg me esmagasse em seu furor pré-ceia, se jogando nele e derramando parte do refrigerante na própria blusa. Deprimente. Ela muda de canal até achar um daqueles filmes românticos, tão água-com-açúcar que ela adora, aqueles que te dão diabetes só de ver o comercial. O filme já tinha começado há algum tempo, mas, quem se importa? Eles são todos iguais mesmo e o que se perdeu sempre pode ser facilmente deduzido. Meg chora quando a mocinha descobre que tem câncer, chora quando a operação dá certo, chora quando eles se casam e vivem felizes para sempre. Mas ela chora mesmo quando o filme acaba e passa um comercial de shakes dietéticos. Se os doces ajudam a passar o grau alcoólico, eles só pioram a silhueta. E, se o grau alcoólico abaixou e uma careta ocupa agora o lugar do seu rosto, é sinal de que ela percebeu finalmente o quanto ela é deprimente. Bem, melhorar a silhueta também não vai fazer com que ela deixe de ser infeliz. Olho para Meg e mio. Será que ela pode me entender? Já vi bêbados conversando com cachorros na rua, mas, é óbvio que eram só os humanos conversando consigo mesmos, afinal, todo mundo sabe que os cachorros são burros e não entendem muita coisa. Meg escova os dentes e vai para a cama decidida a começar a dieta, sem falta.

Pela manhã, o que era uma careta agora se transformou em uma carranca medonha.

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