Os primeiros raios de luz penetram pelas frestas da janela. Ele cobre seu corpo com o lençol e abre uma pequena fresta, acordando-me delicadamente de um leve sono imperceptivelmente falseado. Trocamos olhares e “bom dia”. Ele se levanta, vai até o banheiro e lava o rosto. Observo seus movimentos, seus contornos enquanto se veste. Me pego pensando pela primeira vez em minha vida “eu poderia ter filhos com essa pessoa, sim… de me casar e ter filhos com ele…filho”. Aproveito o momento em que ele vai para a cozinha e deslizo para fora das cobertas, me vestindo o mais rápido possível. “Droga! aonde está aquela merda daquele sutiã?” Me espreguiço ruidosamente para que ele não seja pego de surpresa na cozinha. Uma pequena cortesia, já que eu mesma odeio ser pega de surpresa quando estou, por exemplo, segurando os seios com uma mão e procurando o maldito sutiã no meio dos lençóis com a outra. Ele me oferece café, mas recuso educadamente. É óbvio que prefiro comer em casa. Trocamos sorrisos. Comentamos sobre o que faremos durante o dia. Enquanto ele acaba de comer, me sento no sofá e aguardo que se arrume para o trabalho. Assim que ele termina o “ritual matinal nosso de cada dia”, levanto e nos dirigimos juntos até a porta. Um último beijo de despedida, uma segunda troca de “bom dia” e saímos cada um para nossas vidas sem ao menos nos importar em anotar o telefone um do outro.

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