Leio o mesmo parágrafo pela quinta vez. Nada. O sentido me escapa como água por entre os dedos. Desisto, tento outra coisa. Bem… Já que decidi (sabe lá Deus o porquê) estudar Francês, vamos a ele. A lição manda conjuguer les verbes, repetir, repetir, até decorar. Não é algo que se faça com o cérebro, e sim par coeur. By heart, if you prefer. Começando pelo mais básico, o être:

Je suis … stupide
Tu es… pas libre
Elle est…

Isso não esta dando certo. Elle est hypocrite. Oui, c’est ça. Assim não vou chegar a lugar nenhum. Conjugo je suis, je suis… Je suis amoreuse. Je suis ta femme, ta lionne apprivoisée. Je t’embrasse. Je t’étreindreins avec mon cheveux, mon bras, et mon cuisse. Je suis ensorcelé…

Arrête! J’ai dépasse les bornes.

Rasgo a embalagem de uma barra de chocolate e, cheia de gana, mordo um pedaço. Ele derrete e me ilude, me preenche, como sua boca. Engulo-o. Encaro a parede, o teto, enquanto rastreio alguma sensação. Não. Ainda está lá. Desisto do chocolate. Nem todas as barras do mundo poderiam realmente me preencher.

Desisto dos livros também. Nenhuma trama vai me resgatar. As palavras não podem mais me resgatar. Eu já decorei o seu cheiro, seu olhar, seu tom de voz.

Eu vou reprovar em Francês.

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