Nao sei muito bem, mas acho que deve ser isso. Bem, a terapeuta mandou eu fazer um diário e… bem… decidir foi duro. Diários com datas marcadas é um saco, e se eu não quero escrever nada naquele dia? E se eu quero escrever um monte e o espaço não dá? Caderninhos sem datas também não presta, é perfeito para esquecer de escrever ou esquecer em algum lugar mesmo e aí ia ser uma zica, já pensou? Todo mundo sabendo o que eu penso das coisas? Do meu chefe? Dos meus colegas de trabalho? Do meu cunhadinho sem cérebro? Da minha irmãzinha igualmente sem cérebro? Que gastou o dinheiro que papai deixou pra nós com silicone. Si-li-co-ne! Devia ter posto no cérebro, pra ver se enchia aquele espaço oco com alguma coisa e talvez não entrasse tanta porcaria, porque o espaço já estaria ocupado. Entao, depois de duas semanas “decidindo” (= enrolando) decidi escrever no PC mesmo e, se eu esquecer, era pra esquecer mesmo, logo no começo dessa entrada eu já esqueci o segundo “e” de terapeuta e isso deve ser um sinal, segundo Freud, de que essa terapia toda esta me deixando mesmo é mais pobre, e só. Se eu tiver que mostrar isso para a Drica (o nome é Adriana, mas pode me chamar de Drica, por favor) eu imprimo e arranco umas páginas e digo que o cachorro comeu, igual criança quando faz a lição toda errada ou quando tem um boletim vermelho e não quer mostrar para a mãe. Ai, eu estou associando a minha terapeuta à minha mãe…

A Elaine me ligou essa semana para implorar por dinheiro emprestado. Pra quê? Pra ela colocar silicone na bunda dessa vez? Sabe, acho que a minha mãe errou no nome de verdade, porque Elaine soa como nome de sonsa mesmo, e eu acredito sim que o nome influencia a personalidade da pessoa. Eu não seria a mesma pessoa se me chamasse Yolanda. Puta nome de fresca, igual Beatriz, Vanessa, Sofia. E quando é Sophie? Bleargh! Sou quem sou justamente e também, claro, porque tenho meu nome próprio – que nao é Tão próprio assim, tem outras pessoas com ele – Lígia. A Drica é insuportável justamente por causa disso. Adriana não estava bom? Muita gente pode pensar como é que alguém vai numa terapeuta que detesta? Bem filha eu preciso de terapia e ela é a ú-ni-ca que atende pelo convênio do meu sensacional emprego nessa metrópole urbanizadissima que eu possuo o deleite de habitar. E detalhe, o convênio não cobre tudo, ou seja, uma porcentagem de tudo que eu uso sai do meu bolso.

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