Porque ficar num hostel é único?

Nunca tinha ficado em um, então, quando um amigo e uma amiga sugeriram ir para Toronto, eu só pude responder: vambora!

A viagem de busão pra lá foi trash, fecharam a rodovia duas vezes por causa da neve e acabamos ficando dois dias, 48 HORAS ou dentro de um busão ou dentro de algum ponto de ônibus da Greyhound ou dentro de algum Tim Horton’s ou Robins ou A&W, sem banho ou comida decente… dá pra imaginar como chegamos?

bem, ficamos no Global Village Backpackers, com uma localização sensacional, mas não um primor de limpeza, e sempre tinha uma mulher meio estranha no sofá, e de madrugada ela estava sempre assistindo o canal de televendas que não pegava direto, com um edredon “cheiroso” naquele sofá “limpinho”, ao lado da mesa de centro que sempre tinha algum resto de comida (embora não fosse permitido ir para os quartos com comida) e comendo sementes de girassol que nem um papagaio, mordendo e cuspindo o que não dava pra comer em uma folha de jornal no chão, coisa linda.

Como o hostel oferecia café com leite, chá, panquecas e cereal de café da manhã, volta e meia lá estava eu comendo umas paquecas (meus amigos acordavam duas horas depois que o café da manhã tinha sido servido) e um dia, a mesma mulher aparece, vai embora e depois volta procurando uma lente de contato verde, que ela obviamente não achou. Detalhe: ela estava usando só uma (porque um olho verde e o outro castanho é muito charme)…

 – qualquer pessoa que use lente de contato sabe que não tem como não perceber que ela está saindo, porque incomoda pra caramba –

Em nossa última noite, decidimos ir assistir um show de Drag Queens em um pub no distrito gay (porque nosso amigo suuuuper queria) e na volta, demos de cara com três pessoas novas na salinha do nosso andar: uma loira bonita,  burra e peituda, uma ruiva de cabelos curtos (que depois descobri que era alemã) e um camarão burro. E eles estavam conversando com a tal mulher. Meus amigos foram pro quarto, mas na hora eu decidi ficar lá pra sacar qual era a deles. No fim das contas, a loira e a alemã tinham acabado de se conhecer e estavam dividindo quarto, e ambas queriam o camarão, um canadense recém-saído da puberdade que obviamente se oferecia para todas mas queria, como todos os homens da face do planeta, a loira burra.

E a tia maluca era uma stripper! Ela mostrou as roupas, o poster dela, disse que trabalhava com isso há 10 anos e que era de Vancouver, mas viajava pelo país fazendo shows. Ela era uma mulher de trinta e poucos anos, meio acabada, com um cabelo alisado horroroso. Disse que, quando estava maquiada, com as roupas, era linda. Confesso que senti pena dela.

No final das contas, o camarão totalmente bêbado (eles tinham acabado de voltar de um pub) fez um strip pra mim e pra alemã (só tirou a camisa e a camiseta, sacolejando que nem galinha tentando voar), mas na realidade querendo a loira. A loira era insuportável e a alemã ficava cada vez mais irritada com ela. Depois ter descoberto o que eu queria, fui tirar as lente de contato, escovar os dentes, tomar banho para dormir. A alemã, no fim das contas era bi e estava com ciúmes dos dois, e foi pro quarto fula da vida. Pra minha alegria, enquanto eu estava tomando banho, ouvi a loira e o camarão tentando fazer sexo no banheiro (isso é o que acontece quando você divide quarto em um hostel e arranja uma trepada).

E assim foi minha primeira vez em um hostel!

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