GRUPO DE TEORIA CRÍTICA
convida para a apresentação de
“ARTISTAS NA CÚPULA DO CIRCO: PERPLEXOS”, do cineasta alemão ALEXANDER
KLUGE
Nesta terça, 22/05/2012, no Anfiteatro B da FCL
Coordenação: Prof. Dr. Luis Nabuco Lastoria e Prof. Dr. Zé Pedro Antunes

Nesse filme, ganhador do Leão de Ouro em Veneza em 1968, Alexander Kluge
narra a história de Leni Peickert, uma artista de circo que sonha ter o
seu próprio circo, onde os animais não sejam colocados em cena
fantasiados e as ações obedeçam a um roteiro literário, a uma
dramaturgia. Depois de muitas tentativas inglórias, ela acaba se
tornando milionária, ao herdar de uma amiga uma grande fortuna. Quando,
finalmente, vai poder realizar o sonho de um circo “natural” e
“dramatúrgico”, ela passa a enfrentar uma dura verdade: a vida de
artista é incompatível com a vida de empresária. Realizado por um
cineasta que esteve próximo de Theodor W. Adorno, que trabalhou como
jurista junto ao Instituto de Pesquisas Sociais (Escola de Frankfurt), o
filme propõe um debate sobre a indústria cultural em meio à revolta
estudantil da segunda metade dos anos 1960. Alexander Kluge, que este
ano completa 80 anos, foi assistente de direção de Fritz Lang em “O
tigre de bengala” e “O sepulcro indiano”, dando início a sua trajetória
cinematográfica. Além da filmografia premiada e cultuada no mundo todo,
também é conhecido por sua prolífica carreira como escritor (seu
primeiro livro, “Lebensläufe”, este ano completa 50 anos) e, mais
recentemente, por seu trabalho como produtor de TV criativo e polêmico.
Impossível de ser enquadrado em algum gênero conhecido, a imprensa alemã
chega a falar de um “gênero Kluge”, tentando dar conta da originalidade
de suas propostas em todas as frentes, todas elas centradas no projeto
de dar voz, indistintamente, a todos os atores da cena histórica. Seu
projeto tem diretamente a ver com as descobertas de sua geração: a dos
“filhos da guerra”, que, tendo descoberto em meio às ruínas os escritos
dos frankfurtianos, em 68 ganharia as ruas. Ele é um dos signatários do
Manifesto de Oberhausen, que deu início ao chamado Novo Cinema Alemão.
Não tendo conseguido a mesma projeção internacional de seus colegas de
geração Werner Herzog, Rainer Werner Fassbinder e Wim Wenders, entre
outros, sua obra, que já teve o merecido reconhecimento do meio
cinematográfico e de um certo público europeu, tende a ganhar cada vez
mais relevância em todos os quadrantes à medida que for sendo
(re)descoberta. Para a crítica francesa, recentemente empenhada em
resgatá-la, Kluge é uma espécie de “Godard alemão”.

TEXTO DE AUTORIA DA DIVULGAÇÃO DO EVENTO

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